segunda-feira, 4 de julho de 2016

UMA DÁDIVA: IMPERFEIÇÃO



“Quando era bem pequeno, alguém lhe disse que era bom e o mundo era bom e que tudo seria bom. Aí a serpente lhe deu uma maçã podre, mas você definiu que não pode aceitar algo ruim. Nem num suflê, nem numa maçã e principalmente, numa pessoa.”

Essa é uma frase marcante do filme Pegando Fogo, estrelado pelo brilhante Bradley Cooper. No filme em questão ele vive Adam, um Chef de cozinha que após cometer erros do passado tenta extrair o máximo de si, e dos outros com quem trabalha, buscando de forma o mais mecanicamente impossível, o ideal que muitas pessoas procuram “perfeição”. Ora, seguindo nessa ideia de “o melhor no que faz”, podemos ver exemplos como o de Adam, e outros que chamam a atenção como Nina, interpretada por Natalie Portman em Cisne Negro. O que podemos notar é como o comportamento humano em sua busca pelo seu ideal próprio por vezes pode se tornar obsessivo, e acabar com toda a beleza de viver aquilo que se ama. Usados por vezes como sinônimos , amor e paixão se confundem, e não são só na carreira os exemplos ofertados, muitas vezes nós apresentamos diversos desses lapsos de procura pela perfeição. Num exemplo mais cotidiano é bem verdadeira essa metáfora do “ideal de perfeição”,  nos nossos relacionamentos ,por vezes de aparência ,ou nos nossos critérios de seleção pessoal taxamos o que não nos agrada ,“feia”, “gorda”, “pobre”, e assim vamos descartando as opções inviáveis, como análise curricular você realmente seleciona o que te agrada, o que chega o mais próximo do ideal possível.

A verdade que move a turbina de movimento e culmina com o ápice das relações humanas é única e exclusivamente traduzida em uma palavra: completude. Procuramos alguém que nos complete de alguma forma, que se sobreponha aos nossos defeitos, que seja tudo aquilo que nós queremos ser, que sejam tudo aquilo que almejamos. Nossa busca pela perfeição é constante ,é exigente. Será que estamos misturando fantasia com realidade, ou apenas superestimando as pessoas que nos cercam?

A linha entre fantasia e realidade não é tão distante assim, buscamos alguém que nos seja o mais interessante possível, acalentados pelos nossos sonhos infantis ou até mesmo os ainda não vividos, tentamos acelerar o processo da procura, e vamos nos tornando mais críticos a cada nova oportunidade. O toque de surrealismo vai moldando o pensamento, e sempre a desculpa do “não dá certo por isso ou aquilo” começa a desmotivar, parece que não existe ninguém à altura. Bom, parece que o defeito não é nos outros no fim das contas, não é mesmo? Realidade você queria, realidade você tem! Solidão bate à porta. Pra quem esperava companhia, agora essa se faz presente.Aguenta ai!

Esquecemos as vezes que a completude se dá com as diferenças, é algo com o qual aprendemos a conviver, é como ter um produto e “entender” como ele funciona, dando uma batidinha aqui, ou ligando de um “jeitinho”  especial. Claro que a primeira vista é todo perfeito, mas com o tempo a necessidade te faz aprender a conviver, mesmo com cada defeitinho que ele apresenta. O entendimento de “ideal” é de que ele não precisa ser perfeito pra todos, Se servir pra você tá de bom tamanho. Não desista tão fácil, pra tudo existe um “jeitinho especial”.



domingo, 12 de junho de 2016

A VERDADE SOBRE O DIA DOS NAMORADOS



Ahh...Dia dos namorados. Mais um dia, mais um ano, mais uma data. Restaurantes cheios de reservas, floriculturas à todo vapor, boboniéres e chocolatarias entregando encomendas aos montes, os cartões saem já prontos com todo aquele sentimentalismo típico do dia 12. Hoje é dia de agradecer, Santo Antônio, cupido, ou seja lá quem juntou vocês, obra do acaso talvez, mas ainda sim motivo pra comemorar. Uma boa hora pra lembrar :Quem agradece são as lojas de departamento, são os chefs de cozinha, são as floristas, os músicos do barzinho. Eles  sabem pelo que são gratos, dia cheio, casa cheia, bolso cheio também. Mas e você, qual seu motivo pra comemorar? As datas presenteáveis estão se tornando basicamente uma obrigação social. Ai entram natal, dias das mães, dia dos namorados e algum dia desses que exigem “só uma lembrancinha”, nossas relações estão se baseando em: “Compro, presenteio, logo...comemoro.” Ferramenta da mídia? De certo que sim. Amor? Não pode se negar que exista. Essas coisas se confundem nas cabeças de alguns, não se pensa muito, só quer fazer, ser parte de um todo. E isso inclui a gente também. Nós como um todo. A gente não quer aparentar solidão, tristeza, a  gente que ser feliz, melhor, quer aparentar felicidade, transparecer, transbordar, mostrar, aparecer. Felicidade parece pré-requisito de aceitação, nesse mundo frio que vive de aparências, que tenta recuperar o pouco de humanidade nessas datas, essas mesmas  que nos fazem demonstrar nosso amor da forma mais material possível.

Acabou a espontaneidade. Onde está o romance? Há quem ache besteira esse lance de abrir a porta, ou de fazer um jantar pra dois. Bom, há quem ache besteira colocar o cinto de segurança também. Mas uma coisa te digo, assim como o sinto de segurança, um pouquinho de amor também pode salvar vidas.

Quem não gosta de se sentir amado? De se sentir lembrado, de ganhar um agrado ou até mesmo de ouvir uma palavra amiga? Tá faltando isso. Atenção propagandas, vamos vender produtos, mas vamos inserir também um pouco de doçura, uma dose de cuidado, um pouco de...atenção! Tá faltando isso, aliás, tá faltando mais que isso. Falta humanidade mesmo, falta amor, acima de tudo.

Amor não é presente, aliás não é SÓ presente. Amor é aquilo que não está estampado pra todo mundo ver, não é o textão que vai nas redes sociais, mas sim aquele que vai numa cartinha, com todo cuidado e simplicidade só pra pessoa amada ler. Amor não é comprar algo pra demonstrar, mas sim demonstrar que vale a pena pagar tanto pra ver o sorriso de alguém. Amor é aquela ligação no meio do dia, é aquela preocupação de saber se passou o resfriado, é aquela paciência diária do “vamos fazer juntos”, é o “ me desculpe” que promete consertar tudo, e conserta. Amor é teste de confiança.
Amor é saber que a pessoa amada está longe e ainda sim ser fiel à ela, é resistir a toda tentação. E cá entre nós, pra quem ama, ignorar as necessidades do corpo não é um perjúrio, é um prazer, é saber que toda saudade vale a pena ,pra sentir de novo quem a gente ama pertinho. Amor não é dizer eu te amo, mas se sentir amado. Amor não é dar presente, mas estar.



Aos namorados de hoje, de ontem e de amanhã, um parabéns à vocês, que a pesar de distantes, ou em momentos difíceis sabem o que é se sentir amado, sabem o que realmente importa, sabem que a data é só mais uma dia pra quem é eternamente enamorado um do outro. Aos demais, curtam seus “Eu te amo ,pra sempre”, esses dois meses passarão logo, e a fatura do cartão vai logo chegar.


sábado, 4 de junho de 2016

GENTE GOSTOSA


Um corpo é um corpo. Não lembro bem quem disse isso, mas interpreto como verdade. Nossa imagem é nossa propaganda pessoal, nosso cartão de visita para desconhecidos. Critério de análise primordial, por vezes essencial, que faz com que as pessoas nos conheçam assim, “de cara” ou que nos reconheçam ( no duplo sentido da palavra). Tudo bem vamo lá, sem enrolar, gente bonita causa interesse certo? Certíssimo! Quem não se atrairia pelo homem fisicamente perfeito? Poucos resistem olhar pra mulher que passa na rua, que vai marcando o caminho com um perfume invisível de sedução, perfume visual, só o olhar consegue captar. Comer com os olhos é uma metáfora pra lá de verdadeira, mas se a conversa continuar por ai, vamos puxar um a observação, por que cá entre nós, tem muita gente que é , sem o menor pudor, intragável. São daquelas pessoas que literalmente “não te descem” goela abaixo. O caminho entre sentir borboletas e embrulhar o estômago são vertentes de um mesmo caminho, mas a gente não percebe isso até cair em um deles.

Não vamos mascarar a realidade, Nós sentimos vontade do  que vemos mesmo, o que é bonito aos nossos olhos. A Beleza vem travestida dos mais diversos elogios mascarado de boas intenções. Fetiche do corpo e vício da boca, o que atrai mesmo é o popular “gostoso(a).

Gostoso é tudo aquilo que instiga nossos sentidos, é o que aguça nosso paladar, que faz você fechar os olhos pra ouvir, é o que toca nas mãos e passa pelo corpo todo como uma tensão que libera tudo de seu corpo. Gostoso é tudo aquilo que nós dissemos que não era, gostoso está entranhado na cultura pelo status do corpo, pelos bronzes artificiais, pelos “Davis” de Michelangelo que desfilam nas redes sociais, pelas curvam que instigam nossos instintos mais sacanas. Gostoso é tudo aquilo que só se vê com os olhos, e se a beleza está nos olhos de quem vem, aiai, pois o mundo está numa onda caótica do seguinte problema: Cegueira cerebral.


O corpo é a propaganda do negócio, mas o produto precisa de uma coisa “qualidade”. Sem qualidade ninguém recomenda, ninguém procura de novo, ninguém sabe que é bom mesmo até ter um por perto. Produto bom, é como pessoa de qualidade. É daquelas que você senta pra conversar e diz, poxa, que delícia que é você. E você quer devorar por inteiro, é quando sabe dos gostos, é quando ouve as histórias, é quando o tempo passa e você nem vê, quando vocês sabem a mesma música e não ligam se não viram o último filme que lançou. É aquele tipo de interação que você exclama e diz “ foi muito gostoso te conhecer”. São essas pessoas que não despertam o instinto selvagem dentro de nós, mas despertam algo mais. Não é do tipo que passa na rua e você pensa “ é muita areia pro meu caminhão”. Mas você sabe, que se valer a pena, não tem problema dar duas viagens.

terça-feira, 17 de maio de 2016

ATENÇÃO!



Desde pequenos somos instruídos a certos tipos de “defesa pessoal”, dessas defesas que nos protegem dos perigos do mundo real, desses perigos que nos fazem mal, ou que de alguma forma vão nos ferir. O sinal amarelo grita “atenção!”, olhe pros dois lados antes de atravessar, não ponha o dedo na boca, não gaste todo seu dinheiro, não ande por becos escuros, não mexa com as facas da gaveta. E assim  aos pouquinhos nosso organismo se habitua ao que faz mal, por quê é isso que nós aprendemos desde sempre, nós só conhecemos o mal por quê aprendemos a evitá-lo. Mas vamos parar pra pensar, será mesmo que o nosso sinal de proteção interior vai sempre colorir de vermelho ou amarelo as situações que nos colocam dúvida? Como saber se devemos parar, ter atenção ou simplesmente prosseguir quando algo novo acontece? Tudo que é novo pra gente assusta no começo, pode ser o gosto de uma comida, uma nova música, uma mudança inesperada, nossos sinais de alerta mudam constantemente tentando nos mostrar que caminho deve ser tomado. E assim como nesse mundo real, no nosso pessoal podemos observar o quão reais essas metáforas podem ser. E é ai que nós vamos entrar.



É como quebrar a cara, sempre acontece de um jeito diferente, a gente busca aprender com os erros, não fazer do mesmo jeito que antes, não machucar ninguém, mas ... Surpresa! Incrivelmente você consegue! Nada de prêmio pra você, isso não é algo bom a ser conquistado. O sinal amarelo tava aberto, mas ainda sim você passou. Foi um risco que correu. É um risco que nós sempre corremos, mesmo que digam pra gente parar, ter cautela, ter paciência. Ahh sim, bem lembrado: Paciência é a palavra chave.

Mas não é hora de desistir, o caminho é longo a se percorrer, e durante a nossa vida nós nos encontramos nas mais diversas situações que precisam da nossa atenção, é como o anjo e o demônio que ficam criando uma balança nos nossos ombros, há quem acredite nisso, não vamos julgar, mas cá entre nós, existem várias formas de chamar a  cautela , ou a falta dela, esses personagens ai são só mais uma forma. Com um tempinho que se passa nós já pensamos ser experts no assunto, a gente pensa estar imune de tudo... Puro engano, nós sempre estamos sujeitos a novos “erros”, e de uma hora pra outra nosso sinal de alerta pisca fervorosamente, “perigo, perigo, perigo”, a chance de tudo dar errado é eminente. E o pior de tudo, sempre que algo  puder dar errado  vai dar. Nossos planos que pareciam tão seguros agora se desfazem , o que a gente aprendeu parece não servir de nada. Dizem que a esperança é última que morre, mas antes de te levar ela vai matando aos pouquinhos, um golpe de cada vez, uma tortura silenciosa que vai acabando com toda paciência que parecia infindável. Sinal amarelo, você que não notou. Atenção parou ai e ficou.

Existe uma grande virtude na paciência, e quem a tem e consegue conservá-la, ótimo! Um  prêmio aos pacientes, aos que viram noites estudando pro vestibular, aos que sonham em vencer uma doença, aos que esperam o amor verdadeiro. Um prêmio aos pacientes, depois de tempos de sinal vermelho, podem prosseguir, o sinal verde é de vocês.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Efeito Dominó


Nos mais diversos momentos do dias, todos nós estamos sujeitos aos mais diversos lapsos de estresse, seja no trabalho, no trânsito, em casa, na escola, na faculdade. Talvez tenha sido algo que não deu certo, ou alguém que gritou com você, uma briga com o (a) namorado(a), uma nota baixa. É verdade que existem dessas pequenas coisinhas que vem pra deixar o dia um pouco mais complicado, que diminuem as horas , que tiram nosso sono, que torram nossa paciência.

É uma enxurrada de cobranças, são das que vem do nosso chefe, dos professores, dos nossos pais, dos nossos amigos. “Nossa, você já gastou todo seu salário”, “O relatório está atrasado”, “amor, a gente precisa conversar”. São desses pequenos problemas que surgem os maiores, a nossa necessidade de acabar com tudo é tão apressada, que por vezes nos deixamos tomar conta por esses lapsos. E ai querido(a) é um efeito dominó. Alguém cobra do seu responsável, ai ele vai e grita com você, e por consequência você vai e grita com outra pessoa. É uma espécie de ciclo da ignorância, sempre em busca de alguém que possa carregar parte desse estresse, dessa mágoa, dessa raiva toda. É quando chega um momento que não cabe mais em você, que começa a extravasar, que qualquer coisa é motivo pra reclamar, qualquer coisa se responde com um grito, ou com um palavrão que incrivelmente já estava na ponta da língua. É verdade, todos temos nossos dias ruins. E quando você pensa “não pode piorar”, ai vai e acontece algo pior. Alguém avisa pro cara lá de cima que isso é um desabafo de alívio, e não um desafio.

Mesmo sem querer o desafio precisa ser aceito, e a possibilidade da piora é sempre presente. O pagamento do aluguel se atrasou, cortaram a luz, ou aquele relatório atrasado resultou em demissão, aquele “Amor, precisamos conversar” foi a última conversa de vocês. É , tudo pode piorar, vamos trabalhar com essa hipótese agora, as coisas podem sim dar errado. Mas... também podem dar certo. Deve ser por isso que existem os dias ruins, pra gente entender e aproveitar os dias bons, pra gente compreender que nem tudo é ruim, pra que a gente sempre possa acreditar no melhor. Se todos os dias fossem bons, não existiriam datas especiais, não haveria surpresas, não haveria aquela “injeção de ânimo”.

A gente tem necessidade de receber isso, é uma palavra de conforto, de carinho, de afeto... Uma palavra de ajuda, uma palavra que diga “ Aguente só mais um pouquinho”. A gente precisa de alguém que empreste o dinheiro do aluguel, precisa ouvir “ O relatório atrasou, mas foi o melhor até agora, parabéns”, e mais ainda, a gente quer aquilo que mais nos faz falta, a gente quer alguém quem esteja com a gente apesar de tudo, é quando a gente descobre que aquele “ Amor, precisamos conversar” estava cheio de boas intenções, um amor que diz que entende que o trabalho é difícil, que o tempo é escasso, que atenção está pouca, mas que ainda sim não vai desistir da gente. É aquela palavra que faz o dia todo valer a pena, que faz  a semana valer a pena. E isso é um efeito dominó, quando alguém te faz um carinho, e você faz questão de disseminar. É o certo meu amigo, é disso que o mundo precisa, e cá entre nós. Ele anda bem carente.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Mister Simpatia






"Ahhhhhhh..." É aquela suspirada básica depois que passa um espécime DAQUELES! Quem resiste em dar uma olhadinha que seja?Obviamente que é alguém que nós atrai, seja um belo par de pernas ou ombros salientes com músculos saltando do corpo, não monstruoso, mas bem definido ,algo belo. São daquelas imagens que deixam nossa imaginação palpitando, tomam conta do nosso intelecto, nos faz conjecturar mil coisas num pequeno espaço de tempo, um tempo esse que na nossa cabeça passa lentamente, como naqueles comerciais de shampoo.

Já notaram como nossa cabeça é maliciosa? Ela nos leva do Céu ao Inferno em questão de segundos, num momento estamos entre quatro paredes fazendo de tudo que "até Deus duvida", e no outro já nos imaginamos na porta da igreja, com o espécime esperando no altar, ou entrando pela porta( dependendo do contexto). E  isso tudo é em questão de 10, 15 segundos. A nossa fantasia pessoal até se surpreende quando um desses "tipos" dá bola pra gente, é aquele momento que você fica todo(a) derretido(a), que os fogos de artificio explodem dentro de você, mas a reação por fora é a mais natural possível, e a gente não sabe como gaguejou falando só oi, ou tentando lembrar "Gente, ele(a) perguntou meu nome, qual meu nome mesmo"? É uma onda que vai logo embora, seja porque a intimidação causada pela pessoa passou, ou porque o desinteresse tomou conta de você. É, existem prós e contras em tudo isso, a gente espera muita coisa vinda de alguém assim tão...atraente. A gente espera que tenha bom papo, que seja bem humorado, respeitador, que tenha um mínimo aceitável de cultura, nem é pedir muito.


Por foto (quase) todo mundo pode ficar bonito, não é difícil não, escolher ângulo, dar um sorriso, tirar um peça de roupa. Vamos adotar aquela máxima que diz,"cada um mostra o que tem",e se só o que você tem é um corpo, então você não tem muita coisa. Nós ficamos impressionados, de uma forma boa, com tudo aquilo que visualmente nos encanta, que pra nós parece saciar bem os desejos do nosso corpo, e por um tempo aquilo nos é suficiente, não aconteceu ainda a etapa seguinte a de entrar mais a fundo, aquela que é a mais importante, que não é tudo, mas representa boa parte. 


É aquela hora que a gente percebe que a beleza é só um complemento, e que nós nos deixamos encantar por toda conversa que vem pra nos deixar à vontade, daquele tipo de conversa que viajou meio mundo e que tem vontade de explorar o restante, que curte uma baladinha mas troca isso pra ficar em casa, que planeja um futuro econômico, que tem metas a serem cumpridas, que pensa mais em saúde que em corpo. É daquela companhia que você quer conhecer mais, daquela pessoa que entende dos livros que você lê, e quando não se convida a partilhar do que você tem a oferecer, que buscar compreender o seu mundo, que se convida a ser parte dele, é daquelas pessoas que tem um corpo que não busca o encaixe sexual, mas que tem um encaixe perfeito, aquele que você sente quando te abraça, quando te dá um boa noite, que te deixa ansiosa pro próximo encontro, que te conquista aos poucos com uma simpatia que muitos tem, mas que hoje pra você, é de forma especial. E sendo um pouco piegas: As curvas mais simples do sorriso dele(a), não se comparam às mais salientes do corpo em si, depois daquele sorrisinho entre o beijo na hora da despedida, em que fala " te vejo amanhã".Você não vê a hora que o outro dia chegue logo.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Classificados do Pegue Fácil




Visualmente é tudo uma beleza, nós vemos aqui um casal. Eles se apresentam para todos como um espécime de perfeição, exibem-se em suas viagens maravilhosas, em suas declarações de amor eterna, em seus status cheios de saudade e devoção, nós os vemos comemorar os meses de namoro um após o outro, os vemos saindo juntos, felizes. Sua felicidade não é de interesse de ninguém, mas eles fazem questão de mostrá-la, estampam como muitos fazem por ai. E ai, depois dessa promessa de “para sempre” traduzido em “dois meses” as cordas que predem com firmeza essa relação de hora pra outra começam a se soltar, e os “nós” que pareciam tão seguros, agora se desfazem dando lugar a um novo status de publicidade pessoal, que ainda é mais forte, é o que se traduz em poucas palavras, muito sentido, e cheio de oportunidade “Tô Solteiro(a)”

Sem economizar palavras, é pretensão de oportunidade sim, ninguém anuncia nada quando não quer alguma coisa. É realmente uma propaganda pro público, daquelas que posta foto diária, cada vez mais provocante, mensagem com teor de convite,  uma necessidade de se mostrar autossuficiente... Pode ver, como desdenha o (a) ex , e fica naquele papo diário de como a vida é perfeita, posta texto de superioridade e legenda os momentos como frases do teor de  “ Vida boa é essa, agora eu vou curtir”. Foto em bares e festas se tornam frequentes...E tem quem ache bonito isso ainda. A notícia se espalha , e é esse o desejo. A fila de espera volta a funcionar, é um novo esquema toda semana, pega, descarta, pega descarta, pega descarta... O que antes era privacidade se torna de interesse geral, o telefone não para de tocar e as mensagens se acumulam rapidamente, está surtindo efeito a propaganda,, É tudo que está querendo, todos sabem,todos vêem, e você está adorando essa atenção toda.. daquele tipo que vem, come e vai embora, Como os classificados você analisa todos, mas no fim não fica com nenhum. E a desculpa é sempre a mesma “ Tô aproveitando a vida”


É a verdade que ronda essas pessoas que cansaram dessa vida a dois, que agora se mostram livres e desimpedidas. Desimpedido de que? Estavam presos a um relacionamento que os unia por moral? Juízo? Bom senso? Culpa? Não... Quem se abstém de outras pessoas e fica com um só não fiz isso por martírio, não joga na cara que tem vários pretendentes pra ficar com um só, pelo contrário, isso é motivo de prazer, de orgulho, e traduz aquela ideia de felicidade que poucos conhecem. Quem gosta de ficar junto não estampa felicidade pro mundo, mas demonstra a cada dia para a pessoa amada, quem ama mesmo não dá a senha do face ou do celular pra pessoa monitorá-lo, não.. Ela transmite confiança, ao ponto de ouvir o outro dizer “ Eu confio cegamente em ti”. Quem gosta de verdade não vive em função do outro, mas aprende a gostar, aprende o que é amor, e entende que isso não é porquê a pessoa tem isso ou aquilo que eu gosto, mas sim por quê apesar de ter coisinhas que não se gosta, você consegue amá-la mesmo assim.

Gente assim não precisa de Propaganda, não estampa a vida por ai pra todos verem, não vive colado com o outro pra provar que gosta. Não , não... Essa publicidade é mais pessoal, é quando você mostra ao outro porquê ele vale a pena, porquê não vai desistir de vocês, é quando você usa de todas as suas qualidades pra tentar reconquistá-lo, quando você chama atenção, quando promete melhorar para que assim ele fique satisfeito com o que tem, ou melhor, fique feliz com o que tem, pra depois não precisar ir atrás de outros, para que enquanto esteja com você, perceba que tem tudo. Persuasão querido(a) é alma do negócio!