terça-feira, 17 de maio de 2016

ATENÇÃO!



Desde pequenos somos instruídos a certos tipos de “defesa pessoal”, dessas defesas que nos protegem dos perigos do mundo real, desses perigos que nos fazem mal, ou que de alguma forma vão nos ferir. O sinal amarelo grita “atenção!”, olhe pros dois lados antes de atravessar, não ponha o dedo na boca, não gaste todo seu dinheiro, não ande por becos escuros, não mexa com as facas da gaveta. E assim  aos pouquinhos nosso organismo se habitua ao que faz mal, por quê é isso que nós aprendemos desde sempre, nós só conhecemos o mal por quê aprendemos a evitá-lo. Mas vamos parar pra pensar, será mesmo que o nosso sinal de proteção interior vai sempre colorir de vermelho ou amarelo as situações que nos colocam dúvida? Como saber se devemos parar, ter atenção ou simplesmente prosseguir quando algo novo acontece? Tudo que é novo pra gente assusta no começo, pode ser o gosto de uma comida, uma nova música, uma mudança inesperada, nossos sinais de alerta mudam constantemente tentando nos mostrar que caminho deve ser tomado. E assim como nesse mundo real, no nosso pessoal podemos observar o quão reais essas metáforas podem ser. E é ai que nós vamos entrar.



É como quebrar a cara, sempre acontece de um jeito diferente, a gente busca aprender com os erros, não fazer do mesmo jeito que antes, não machucar ninguém, mas ... Surpresa! Incrivelmente você consegue! Nada de prêmio pra você, isso não é algo bom a ser conquistado. O sinal amarelo tava aberto, mas ainda sim você passou. Foi um risco que correu. É um risco que nós sempre corremos, mesmo que digam pra gente parar, ter cautela, ter paciência. Ahh sim, bem lembrado: Paciência é a palavra chave.

Mas não é hora de desistir, o caminho é longo a se percorrer, e durante a nossa vida nós nos encontramos nas mais diversas situações que precisam da nossa atenção, é como o anjo e o demônio que ficam criando uma balança nos nossos ombros, há quem acredite nisso, não vamos julgar, mas cá entre nós, existem várias formas de chamar a  cautela , ou a falta dela, esses personagens ai são só mais uma forma. Com um tempinho que se passa nós já pensamos ser experts no assunto, a gente pensa estar imune de tudo... Puro engano, nós sempre estamos sujeitos a novos “erros”, e de uma hora pra outra nosso sinal de alerta pisca fervorosamente, “perigo, perigo, perigo”, a chance de tudo dar errado é eminente. E o pior de tudo, sempre que algo  puder dar errado  vai dar. Nossos planos que pareciam tão seguros agora se desfazem , o que a gente aprendeu parece não servir de nada. Dizem que a esperança é última que morre, mas antes de te levar ela vai matando aos pouquinhos, um golpe de cada vez, uma tortura silenciosa que vai acabando com toda paciência que parecia infindável. Sinal amarelo, você que não notou. Atenção parou ai e ficou.

Existe uma grande virtude na paciência, e quem a tem e consegue conservá-la, ótimo! Um  prêmio aos pacientes, aos que viram noites estudando pro vestibular, aos que sonham em vencer uma doença, aos que esperam o amor verdadeiro. Um prêmio aos pacientes, depois de tempos de sinal vermelho, podem prosseguir, o sinal verde é de vocês.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Efeito Dominó


Nos mais diversos momentos do dias, todos nós estamos sujeitos aos mais diversos lapsos de estresse, seja no trabalho, no trânsito, em casa, na escola, na faculdade. Talvez tenha sido algo que não deu certo, ou alguém que gritou com você, uma briga com o (a) namorado(a), uma nota baixa. É verdade que existem dessas pequenas coisinhas que vem pra deixar o dia um pouco mais complicado, que diminuem as horas , que tiram nosso sono, que torram nossa paciência.

É uma enxurrada de cobranças, são das que vem do nosso chefe, dos professores, dos nossos pais, dos nossos amigos. “Nossa, você já gastou todo seu salário”, “O relatório está atrasado”, “amor, a gente precisa conversar”. São desses pequenos problemas que surgem os maiores, a nossa necessidade de acabar com tudo é tão apressada, que por vezes nos deixamos tomar conta por esses lapsos. E ai querido(a) é um efeito dominó. Alguém cobra do seu responsável, ai ele vai e grita com você, e por consequência você vai e grita com outra pessoa. É uma espécie de ciclo da ignorância, sempre em busca de alguém que possa carregar parte desse estresse, dessa mágoa, dessa raiva toda. É quando chega um momento que não cabe mais em você, que começa a extravasar, que qualquer coisa é motivo pra reclamar, qualquer coisa se responde com um grito, ou com um palavrão que incrivelmente já estava na ponta da língua. É verdade, todos temos nossos dias ruins. E quando você pensa “não pode piorar”, ai vai e acontece algo pior. Alguém avisa pro cara lá de cima que isso é um desabafo de alívio, e não um desafio.

Mesmo sem querer o desafio precisa ser aceito, e a possibilidade da piora é sempre presente. O pagamento do aluguel se atrasou, cortaram a luz, ou aquele relatório atrasado resultou em demissão, aquele “Amor, precisamos conversar” foi a última conversa de vocês. É , tudo pode piorar, vamos trabalhar com essa hipótese agora, as coisas podem sim dar errado. Mas... também podem dar certo. Deve ser por isso que existem os dias ruins, pra gente entender e aproveitar os dias bons, pra gente compreender que nem tudo é ruim, pra que a gente sempre possa acreditar no melhor. Se todos os dias fossem bons, não existiriam datas especiais, não haveria surpresas, não haveria aquela “injeção de ânimo”.

A gente tem necessidade de receber isso, é uma palavra de conforto, de carinho, de afeto... Uma palavra de ajuda, uma palavra que diga “ Aguente só mais um pouquinho”. A gente precisa de alguém que empreste o dinheiro do aluguel, precisa ouvir “ O relatório atrasou, mas foi o melhor até agora, parabéns”, e mais ainda, a gente quer aquilo que mais nos faz falta, a gente quer alguém quem esteja com a gente apesar de tudo, é quando a gente descobre que aquele “ Amor, precisamos conversar” estava cheio de boas intenções, um amor que diz que entende que o trabalho é difícil, que o tempo é escasso, que atenção está pouca, mas que ainda sim não vai desistir da gente. É aquela palavra que faz o dia todo valer a pena, que faz  a semana valer a pena. E isso é um efeito dominó, quando alguém te faz um carinho, e você faz questão de disseminar. É o certo meu amigo, é disso que o mundo precisa, e cá entre nós. Ele anda bem carente.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Mister Simpatia






"Ahhhhhhh..." É aquela suspirada básica depois que passa um espécime DAQUELES! Quem resiste em dar uma olhadinha que seja?Obviamente que é alguém que nós atrai, seja um belo par de pernas ou ombros salientes com músculos saltando do corpo, não monstruoso, mas bem definido ,algo belo. São daquelas imagens que deixam nossa imaginação palpitando, tomam conta do nosso intelecto, nos faz conjecturar mil coisas num pequeno espaço de tempo, um tempo esse que na nossa cabeça passa lentamente, como naqueles comerciais de shampoo.

Já notaram como nossa cabeça é maliciosa? Ela nos leva do Céu ao Inferno em questão de segundos, num momento estamos entre quatro paredes fazendo de tudo que "até Deus duvida", e no outro já nos imaginamos na porta da igreja, com o espécime esperando no altar, ou entrando pela porta( dependendo do contexto). E  isso tudo é em questão de 10, 15 segundos. A nossa fantasia pessoal até se surpreende quando um desses "tipos" dá bola pra gente, é aquele momento que você fica todo(a) derretido(a), que os fogos de artificio explodem dentro de você, mas a reação por fora é a mais natural possível, e a gente não sabe como gaguejou falando só oi, ou tentando lembrar "Gente, ele(a) perguntou meu nome, qual meu nome mesmo"? É uma onda que vai logo embora, seja porque a intimidação causada pela pessoa passou, ou porque o desinteresse tomou conta de você. É, existem prós e contras em tudo isso, a gente espera muita coisa vinda de alguém assim tão...atraente. A gente espera que tenha bom papo, que seja bem humorado, respeitador, que tenha um mínimo aceitável de cultura, nem é pedir muito.


Por foto (quase) todo mundo pode ficar bonito, não é difícil não, escolher ângulo, dar um sorriso, tirar um peça de roupa. Vamos adotar aquela máxima que diz,"cada um mostra o que tem",e se só o que você tem é um corpo, então você não tem muita coisa. Nós ficamos impressionados, de uma forma boa, com tudo aquilo que visualmente nos encanta, que pra nós parece saciar bem os desejos do nosso corpo, e por um tempo aquilo nos é suficiente, não aconteceu ainda a etapa seguinte a de entrar mais a fundo, aquela que é a mais importante, que não é tudo, mas representa boa parte. 


É aquela hora que a gente percebe que a beleza é só um complemento, e que nós nos deixamos encantar por toda conversa que vem pra nos deixar à vontade, daquele tipo de conversa que viajou meio mundo e que tem vontade de explorar o restante, que curte uma baladinha mas troca isso pra ficar em casa, que planeja um futuro econômico, que tem metas a serem cumpridas, que pensa mais em saúde que em corpo. É daquela companhia que você quer conhecer mais, daquela pessoa que entende dos livros que você lê, e quando não se convida a partilhar do que você tem a oferecer, que buscar compreender o seu mundo, que se convida a ser parte dele, é daquelas pessoas que tem um corpo que não busca o encaixe sexual, mas que tem um encaixe perfeito, aquele que você sente quando te abraça, quando te dá um boa noite, que te deixa ansiosa pro próximo encontro, que te conquista aos poucos com uma simpatia que muitos tem, mas que hoje pra você, é de forma especial. E sendo um pouco piegas: As curvas mais simples do sorriso dele(a), não se comparam às mais salientes do corpo em si, depois daquele sorrisinho entre o beijo na hora da despedida, em que fala " te vejo amanhã".Você não vê a hora que o outro dia chegue logo.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Classificados do Pegue Fácil




Visualmente é tudo uma beleza, nós vemos aqui um casal. Eles se apresentam para todos como um espécime de perfeição, exibem-se em suas viagens maravilhosas, em suas declarações de amor eterna, em seus status cheios de saudade e devoção, nós os vemos comemorar os meses de namoro um após o outro, os vemos saindo juntos, felizes. Sua felicidade não é de interesse de ninguém, mas eles fazem questão de mostrá-la, estampam como muitos fazem por ai. E ai, depois dessa promessa de “para sempre” traduzido em “dois meses” as cordas que predem com firmeza essa relação de hora pra outra começam a se soltar, e os “nós” que pareciam tão seguros, agora se desfazem dando lugar a um novo status de publicidade pessoal, que ainda é mais forte, é o que se traduz em poucas palavras, muito sentido, e cheio de oportunidade “Tô Solteiro(a)”

Sem economizar palavras, é pretensão de oportunidade sim, ninguém anuncia nada quando não quer alguma coisa. É realmente uma propaganda pro público, daquelas que posta foto diária, cada vez mais provocante, mensagem com teor de convite,  uma necessidade de se mostrar autossuficiente... Pode ver, como desdenha o (a) ex , e fica naquele papo diário de como a vida é perfeita, posta texto de superioridade e legenda os momentos como frases do teor de  “ Vida boa é essa, agora eu vou curtir”. Foto em bares e festas se tornam frequentes...E tem quem ache bonito isso ainda. A notícia se espalha , e é esse o desejo. A fila de espera volta a funcionar, é um novo esquema toda semana, pega, descarta, pega descarta, pega descarta... O que antes era privacidade se torna de interesse geral, o telefone não para de tocar e as mensagens se acumulam rapidamente, está surtindo efeito a propaganda,, É tudo que está querendo, todos sabem,todos vêem, e você está adorando essa atenção toda.. daquele tipo que vem, come e vai embora, Como os classificados você analisa todos, mas no fim não fica com nenhum. E a desculpa é sempre a mesma “ Tô aproveitando a vida”


É a verdade que ronda essas pessoas que cansaram dessa vida a dois, que agora se mostram livres e desimpedidas. Desimpedido de que? Estavam presos a um relacionamento que os unia por moral? Juízo? Bom senso? Culpa? Não... Quem se abstém de outras pessoas e fica com um só não fiz isso por martírio, não joga na cara que tem vários pretendentes pra ficar com um só, pelo contrário, isso é motivo de prazer, de orgulho, e traduz aquela ideia de felicidade que poucos conhecem. Quem gosta de ficar junto não estampa felicidade pro mundo, mas demonstra a cada dia para a pessoa amada, quem ama mesmo não dá a senha do face ou do celular pra pessoa monitorá-lo, não.. Ela transmite confiança, ao ponto de ouvir o outro dizer “ Eu confio cegamente em ti”. Quem gosta de verdade não vive em função do outro, mas aprende a gostar, aprende o que é amor, e entende que isso não é porquê a pessoa tem isso ou aquilo que eu gosto, mas sim por quê apesar de ter coisinhas que não se gosta, você consegue amá-la mesmo assim.

Gente assim não precisa de Propaganda, não estampa a vida por ai pra todos verem, não vive colado com o outro pra provar que gosta. Não , não... Essa publicidade é mais pessoal, é quando você mostra ao outro porquê ele vale a pena, porquê não vai desistir de vocês, é quando você usa de todas as suas qualidades pra tentar reconquistá-lo, quando você chama atenção, quando promete melhorar para que assim ele fique satisfeito com o que tem, ou melhor, fique feliz com o que tem, pra depois não precisar ir atrás de outros, para que enquanto esteja com você, perceba que tem tudo. Persuasão querido(a) é alma do negócio!


domingo, 10 de abril de 2016

Bora, Fica de Quatro!




É nessas horas que o manual da etiqueta faz falta. A gente vê livro pra tudo, curso pra ensinar como sentar, se vestir, como se comportar nos locais, como nos dirigir à certos tipos de pessoas, mas taí algo que ninguém comenta ou se toca , e da falta que faz : uma boa educação de cama. Na boa, faz falta sim, sempre tem alguém que veio a passeio ( e graças a Deus só estava de passagem) e foi embora logo . Sempre tem alguém que não sabe o significado da troca de prazer, entendem bem a palavra? TROCA! Que realmente não se importa com o outro, que não tá nem ai se está sendo agradável, se está indo rápido demais, ou se está causando certo... desagrado. Por vezes a nossa educação permite tal violação, na promessa crescente de não repetir esse erro com mais ninguém, mas cá entre nós, o erro não é nosso na hora H, e sim do outro. Nosso erro foi simplesmente a escolha (mal feita).

No começo é sempre uma troca de agrados, é elogio que não acaba, é uma preocupação tremenda, é um beijo bem comportado... Mas o lado animal é o que controla essas pessoas, que não sossegam o desejo enquanto não forem completamente saciadas. E detalhe, nada de prazer compartilhado. Não é difícil encontrar gente assim, principalmente essas atrás de uma pegação fácil, rápida, egoísta.. Opa! Egoísta não,Sem Compromisso. Sem compromisso com você, com suas necessidades... com seu bem estar. Não tem preocupação com beijo sedutor, nem em explorar o corpo até então desconhecido. Nada disso. É uma fome incontrolável, uma sede que por mais que se beba por completo o corpo, ainda te deixa sedento por mais, É  um fogo incontrolável, mas que nem o calor você consegue sentir. Dá uma vontade de parar tudo, fazer um escândalo, algo que com certeza mexa com seus hormônios, por que isso parece que não tá dando certo.

Agente por vezes é bem seleto nas nossas escolhas, mas não é sempre que se acerta. Esse lance de química é bem importante, mas se ela rolar só pra um, não tem reação que aconteça. Vai ver é por isso que não se faz nada, não se sente nada,e na hora do “vamo ver” não existe educação, nem pedido, é mais um mandamento, “deita”, “se vira”.. “Bora, fica de quatro”... É como fazer sexo com um(a) escravo(a), uma relação que você não tem direito a nada só a obedecer. É uma metáfora bem real essa da submissão,  dá pra notar que nas primeiras vezes existe uma preferência pelas “ posições de retaguarda”.É só um artifício pra evitar todo esse sentimentalismo de olho no olho. Bem diferente de outros tipos, os que não são só pra aliviar a carga do corpo, mas que trazem alívio permanente, que embebeda o outro e chega a transbordar. É um sexo diferente, que existe a pegada, o toque, o olho no olho, a pessoalidade.. A existência de um sentimento além do prazer é reconhecido na hora .




Assim como o egoísmo o amor é fácil de notar, ele vem através da palma das mãos, do sussurro no ouvido, dos dedos entrelaçados. Não é  como o amor dos livros que montam uma relação perfeita, ou os juramentados que prometem cumprir algo, não é um contrato a ser selado e obedecido. Mas é o amor que demonstra no olhar o desejo mais desesperado das nossas almas aflitas, é aquele olhar que todo mundo espera mas dificilmente encontra, é o que traduz tudo aquilo que você sente na hora. É o melhor do mundo, aquele carregado de todo sentimento forte, que vai além da carne, que vai além do momento, é aquele que significa :Eu me importo com você.

domingo, 3 de abril de 2016

VOCÊ NÃO FAZ O MEU TIPO

       


 Existe muito livro de autoajuda por ai, desses muitos com o mesmo tema, de como conquistar seu amor, de como achar a alma gêmea, de como manter um relacionamento disso e daquilo. É bem verdade que o tema amor é atrativo, principalmente pra quem não sabe como lidar com ele. Não é bem necessária esse tipo de “ajudinha”, mas é sempre bem vindo. Se bem que às vezes o que realmente faz falta não é bem como começar, e sim como terminar coisa que nem chegou a acontecer. Não existem livros pra ensinar o que vou chamar de “arte do dispensa”, e nem vão funcionar, enquanto existir esse tipo de gente que não se contenta com o já conhecido e sempre usual meio pelo qual você mostra o seu desinteresse. “Querido(a) Você não faz o meu tipo”

Todo o papo parece caminhar para uma certeza absoluta “poxa vida dessa vez vai dar certo”. A companhia é bacana, a conversa é boa, uma risada aqui outra acolá, ok! Não são os únicos ingredientes pra fazer um bom início de possível relacionamento, mas ainda sim são essenciais. Todo mundo quer alguém que te faça sentir bem. As vezes é só tempo que clareia mais a situação, somos nós que percebemos o que vamos querer, afinal de contas ninguém pode decidir por você.

As nossas escolhas são por vezes difíceis, e a permissividade pessoal nem sempre é suficiente. Nos deixamos levar pela conversa, vemos os pontos positivos, sabemos das qualidades, mas... não faz seu tipo! Resposta bem clichê. Não só essa, mas as mais diversas utilizadas, a  nossa educação se molda a tipos já prontos de “ Não é você, sou eu”, “Não dá certo, tenho outras prioridades”... Quem acredita nisso? A gente finge que acredita. As vezes é melhor essa auto enganação, nos faz sentir menos pior depois que se leva um fora. A cabeça se enche de porquês, a autoestima baixa, a gente não sabe por que não agradou, se pergunta o que faltou, se diminui demais, duvida da nossa capacidade.. Não é um tempo bom pra conversar. É um tempo de mágoa, que toda felicidade alheia nos incomoda, um tempo de inverno que parece nunca mais ter fim, deixa nosso coração frio, gelado...

Mas o bom tempo ensina tudo. E a gente aprende, e como.. Quebrar a cara se torna opcional depois de um tempo, sofrer também aos poucos é amenizado, a gente entende que ganhar é difícil, que dá trabalho, que a conquista de nada adianta se o outro não tiver disposto. A tristeza da derrota aos poucos se torna frustração, raiva... Ainda há motivo pra se preocupar. O contrário de amor não é raiva, e sim indiferença, é não se importar mais, não querer saber, não estar nem ai... Se não for nada disso, não passou ainda, afinal de contas "Entre o bem o mal a linha é tênue, e entre o amor e o ódio também."

sábado, 26 de março de 2016

Vida de Mentiras


Todo mundo tem um segredo.

Todo mundo tem algum, alguma coisa que não conta, que não demonstra, que não tem  a menor condição de exteriorizar. É verdade sim, cada pessoa sabe de si, de suas auto-confissões, das necessidades próprias. Geralmente a gente toma segredo por algo impactante. São das coisas que não se quer falar, nem tocar no assunto. Mas ai sempre tem alguém que sabe de alguma coisa, que te desvenda, que “mata a charada”. Pois bem, isso tudo será revelado...Hoje

A gente aprende desde cedo a ser assim sabe, tudo que se faz é reprovável, todo comportamento tem que ser polido, exato, aceitável. Nós somos educados a fim de superar nossos limites, de ser o melhor em tudo, de sempre tirar nota acima da média, de não chorar. Nós somos sim criados assim, e desde cedo também já somos treinados pra não errar. Somos acalentados pelas histórias que nos contam, pelos príncipes em cavalos brancos, pela beleza do coração puro, pelo felizes para sempre... O tom de surrealismo dá um pouco de cor a esse mundo em preto e branco, o que é chamado de realidade. Acreditamos que o bem vence o mal, que o amor supera tudo, que o interior é o que te conquista... Nem sempre é assim.

São esses ensinamentos que nos transformam, que a cada dia criam os sentimentos dentro da gente, dos mais diversos. São os que nos fazem rir, gritar, chorar, ter esperança ou perdê-la. São eles também que nos libertam... Que nos sufocam... Quantas vezes a gente se pega preso a coisas que não faz por medo? Que não fala, não demonstra? Quantas pessoas passam pelas nossas vidas sem saber como somos de verdade? Esse medo todo nos consome. A realidade veste uma máscara que é única, e nossos segredos se consomem dentro de nós, só a espera de uma válvula de escape pra sair. Num silêncio desesperador que grita alto, sem que ninguém consiga ouvir.


Eles se criam, e crescem escondido. Ficam escondidos naqueles: Tá bem? Sim estou.. ( na verdade não tá nada bem, mas quero que você perceba). Os segredos da alma são mais pesados que os do corpo, são aqueles que te matam por dentro, são daquelas saudades que corroem, daqueles “eu te amo” que nunca saíram, do pedido de desculpa que o orgulho não deixa aflorar. São daqueles sentimentos que a gente tem medo de demonstrar, seja por medo de quebrar a cara ou só por medo de dar certo. São desses segredos que ficam dentro da gente, que nos faz um muralha por fora, um castelo impenetrável, sólidos como uma rocha.. Mas por dentro sempre estão na espera do eterno príncipe encantado, a espera de um beijo, de um abraço. De alguém que tenha paciência de ouvir... De alguém nos que entenda.