segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Entre Quatro Paredes


Na nossa listinha pessoal de coisas "à fazer" sempre tem uma cota reservada para "uma aventura perigosa". Pode notar, fazer algo arriscado tem presença fixa na nossa lista, seja pela dose de adrenalina, ou simplesmente pela satisfação pessoal de ter feito. Foi-se  o tempo de buzinar a campainha e sair correndo, o negócio é mais em cima ( ou mais embaixo ) , a brincadeira  se tornou mais perigosa, e cá entre nós: a ideia do proibido ser mais gostoso é sempre verdade.

Com o tempo a gente cresce e aprende como entrar no jogo, é tudo uma fase, nosso crescimento vai chegando aos poucos, é como dizer que “vai pra casa da amiga”, ou dar aquela “rapidinha” no carro ,  espécies de figurinha que todo mundo precisa ter no seu álbum de vida. Vista permitida só pra que é bem próximo (ou às vezes nem isso).Um jogo, um segredo, quando ninguém pode saber é tudo uma delícia, é como um prazer a mais. São das regras que pedem voto de silêncio, que soltam aqueles " fica só entre a gente”.

Mas não perde nunca esse teor de brincadeira, vivemos sempre no escuro tateando por algo que nos tire dessa cegueira temporária, procurando alguém que nos guie, talvez isso explique bem a expressão “confiar de olhos fechados”. O segredo é confiança. Ou nem sempre...


Nossa ideia do que fica entre quatro paredes é quase sempre a de insistir em algo bem proibido, mas nem é isso, nossas paredes se limitam dentro da nossa realidade. Pra uns as paredes significam uma boa foda, um segredo que ninguém pode saber, um fetiche, um desejo que só se consuma sozinho. Pra outros pode ser simplesmente a necessidade de um abraço, de alguém que chegue e diga “ vem cá eu te ajudo”, de alguém que faça diferente, que saiba do seu íntimo, que chegue devagarzinho, que interprete bem sua intimidade. A beleza do segredo é que ele não é um espetáculo( e ainda bem). Já existe plateia demais na vida da gente

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Por quê nos vemos tão trouxas?




Das experiências que a vida traz, nenhuma ensina mais que a decepção. Pode ver, não há vitória ou conquista, não há dias de saúde que sejam louvados como os  preocupantes de doença. Poucas são as lembranças boas, claro ,são intensas, são perfeitas, são dos dias que a gente lembra com uma nostalgia louvável, são daquelas que se equiparam às nossas piores lembranças. São as que não saem das nossas cabeças, que são aprendidas uma vez, mas são lembradas infinitas vezes.

Difícil não ter um caso pra contar. Chegue pra alguém e pergunte: Qual a sua maior decepção? Muitos vão lembrar de uma vez terem falhado em algo, de não ter dito, de não ter feito, de não ter ido. O “não” é como o fantasma que volta e meia nos assombra. É  o bicho papão que se transforma naquilo que só assusta a cada um, que transforma um momento bom em um ruim, que te leva de feliz a triste. Que esmaga os sonhos. É como quando a gente dorme, a decepção é como um bicho papão, ela te tira do “mundo dos sonhos” e te traz  pro “mundo real.”

Quem nunca sofreu por amor? Que a tire a primeira pedra.  Rejeição é algo difícil de superar, é como pensar que sempre tem alguém melhor que você, que você não está a altura, que você é só mais um. É uma tristeza se sentir comum, é por isso que a decepção vem. E isso ocorre sempre que dá. Felicidade parece ser um prêmio difícil de se conseguir, volta e meia a gente para e se compara “ mas poxa, tem tanta gente que tem isso tão fácil... NÃO É JUSTO”. Quem somos nós pra dizer o que é justo? Que poder nós temos de escrever nossa história? Com todo esse livre arbítrio ( que poucos sabem usar) menos ainda entendem o quão difícil é crescer. Mas o que é crescer? “Crescer” pra muita gente é deixar de ser trouxa. É estar tão acima do erro alheio que nada pode te atingir.  

 Mas não se engane, nesse eterno gira-gira da vida é notável ver que um dia um fica por cima e outro por baixo, ser trouxa é tão comum quanto verdadeiro. Talvez seja o momento que estamos mais vulneráveis, é quando a gente acredita que tudo vai dar certo de novo. É quando a gente se pega olhando o celular de minuto em minuto pra saber se a mensagem chegou. É não dormir à noite achando que a ligação vai vir. É esperar ansiosamente pelo encontro e ele “dar pra trás”. É ser trocada por outro em meio a festa. É esperar alguém que foi pra longe e não vai voltar.

Tem quem confunda, e experiências tristes todos tem pra contar. Tem muita gente que foi deixada, tem muitas mais que foram traídas, tem gente que pede só um pouquinho de atenção, que espera uma conversa amigável no fim do dia, tem gente que liga e quer um amigo, e não alguém que só faça sexo e vire pro lado, tem gente que precisa de algo mais que dinheiro, tem gente que precisa de saúde e tem aqueles que só precisam de uma segunda chance.


Pois uma coisa seja dita. Tem muita gente trouxa sim. Tem muita gente que ainda acredita no amor. Tem muita gente que perdoa. Tem muita gente que dá uma chance, duas , três... Tem muita gente que acredita na caridade, que ainda vê fé na união de um casal. Existe  muita gente trouxa sim, e todo dia a cota aumenta, é sinal que existe algo que vem se perdendo a muito tempo: compaixão. E isso não nos faz melhor que ninguém, mas diferente de muitos. Compaixão não diminui, é como a procura incessante de cada um, é o que devemos buscar, o crescimento, mas não o do egocentrismo, do achismo ou qualquer coisa do tipo, o crescimento maior é a capacidade de resiliência. Dizem que o que não te mata te faz mais forte, pois use desse pensamento pra crescer. Assim como as plantas precisam aguentar tempestades para ver as flores, nós precisamos suportar as tribulações para ver nosso crescimento. E Se pra isso acontecer você precisar ser “ trouxa” seja. Perdoe, ame, peça desculpa, tente uma, duas, três vezes. O mundo anda muito mecânico, falta doçura. Falta leveza...

segunda-feira, 4 de julho de 2016

UMA DÁDIVA: IMPERFEIÇÃO



“Quando era bem pequeno, alguém lhe disse que era bom e o mundo era bom e que tudo seria bom. Aí a serpente lhe deu uma maçã podre, mas você definiu que não pode aceitar algo ruim. Nem num suflê, nem numa maçã e principalmente, numa pessoa.”

Essa é uma frase marcante do filme Pegando Fogo, estrelado pelo brilhante Bradley Cooper. No filme em questão ele vive Adam, um Chef de cozinha que após cometer erros do passado tenta extrair o máximo de si, e dos outros com quem trabalha, buscando de forma o mais mecanicamente impossível, o ideal que muitas pessoas procuram “perfeição”. Ora, seguindo nessa ideia de “o melhor no que faz”, podemos ver exemplos como o de Adam, e outros que chamam a atenção como Nina, interpretada por Natalie Portman em Cisne Negro. O que podemos notar é como o comportamento humano em sua busca pelo seu ideal próprio por vezes pode se tornar obsessivo, e acabar com toda a beleza de viver aquilo que se ama. Usados por vezes como sinônimos , amor e paixão se confundem, e não são só na carreira os exemplos ofertados, muitas vezes nós apresentamos diversos desses lapsos de procura pela perfeição. Num exemplo mais cotidiano é bem verdadeira essa metáfora do “ideal de perfeição”,  nos nossos relacionamentos ,por vezes de aparência ,ou nos nossos critérios de seleção pessoal taxamos o que não nos agrada ,“feia”, “gorda”, “pobre”, e assim vamos descartando as opções inviáveis, como análise curricular você realmente seleciona o que te agrada, o que chega o mais próximo do ideal possível.

A verdade que move a turbina de movimento e culmina com o ápice das relações humanas é única e exclusivamente traduzida em uma palavra: completude. Procuramos alguém que nos complete de alguma forma, que se sobreponha aos nossos defeitos, que seja tudo aquilo que nós queremos ser, que sejam tudo aquilo que almejamos. Nossa busca pela perfeição é constante ,é exigente. Será que estamos misturando fantasia com realidade, ou apenas superestimando as pessoas que nos cercam?

A linha entre fantasia e realidade não é tão distante assim, buscamos alguém que nos seja o mais interessante possível, acalentados pelos nossos sonhos infantis ou até mesmo os ainda não vividos, tentamos acelerar o processo da procura, e vamos nos tornando mais críticos a cada nova oportunidade. O toque de surrealismo vai moldando o pensamento, e sempre a desculpa do “não dá certo por isso ou aquilo” começa a desmotivar, parece que não existe ninguém à altura. Bom, parece que o defeito não é nos outros no fim das contas, não é mesmo? Realidade você queria, realidade você tem! Solidão bate à porta. Pra quem esperava companhia, agora essa se faz presente.Aguenta ai!

Esquecemos as vezes que a completude se dá com as diferenças, é algo com o qual aprendemos a conviver, é como ter um produto e “entender” como ele funciona, dando uma batidinha aqui, ou ligando de um “jeitinho”  especial. Claro que a primeira vista é todo perfeito, mas com o tempo a necessidade te faz aprender a conviver, mesmo com cada defeitinho que ele apresenta. O entendimento de “ideal” é de que ele não precisa ser perfeito pra todos, Se servir pra você tá de bom tamanho. Não desista tão fácil, pra tudo existe um “jeitinho especial”.



domingo, 12 de junho de 2016

A VERDADE SOBRE O DIA DOS NAMORADOS



Ahh...Dia dos namorados. Mais um dia, mais um ano, mais uma data. Restaurantes cheios de reservas, floriculturas à todo vapor, boboniéres e chocolatarias entregando encomendas aos montes, os cartões saem já prontos com todo aquele sentimentalismo típico do dia 12. Hoje é dia de agradecer, Santo Antônio, cupido, ou seja lá quem juntou vocês, obra do acaso talvez, mas ainda sim motivo pra comemorar. Uma boa hora pra lembrar :Quem agradece são as lojas de departamento, são os chefs de cozinha, são as floristas, os músicos do barzinho. Eles  sabem pelo que são gratos, dia cheio, casa cheia, bolso cheio também. Mas e você, qual seu motivo pra comemorar? As datas presenteáveis estão se tornando basicamente uma obrigação social. Ai entram natal, dias das mães, dia dos namorados e algum dia desses que exigem “só uma lembrancinha”, nossas relações estão se baseando em: “Compro, presenteio, logo...comemoro.” Ferramenta da mídia? De certo que sim. Amor? Não pode se negar que exista. Essas coisas se confundem nas cabeças de alguns, não se pensa muito, só quer fazer, ser parte de um todo. E isso inclui a gente também. Nós como um todo. A gente não quer aparentar solidão, tristeza, a  gente que ser feliz, melhor, quer aparentar felicidade, transparecer, transbordar, mostrar, aparecer. Felicidade parece pré-requisito de aceitação, nesse mundo frio que vive de aparências, que tenta recuperar o pouco de humanidade nessas datas, essas mesmas  que nos fazem demonstrar nosso amor da forma mais material possível.

Acabou a espontaneidade. Onde está o romance? Há quem ache besteira esse lance de abrir a porta, ou de fazer um jantar pra dois. Bom, há quem ache besteira colocar o cinto de segurança também. Mas uma coisa te digo, assim como o sinto de segurança, um pouquinho de amor também pode salvar vidas.

Quem não gosta de se sentir amado? De se sentir lembrado, de ganhar um agrado ou até mesmo de ouvir uma palavra amiga? Tá faltando isso. Atenção propagandas, vamos vender produtos, mas vamos inserir também um pouco de doçura, uma dose de cuidado, um pouco de...atenção! Tá faltando isso, aliás, tá faltando mais que isso. Falta humanidade mesmo, falta amor, acima de tudo.

Amor não é presente, aliás não é SÓ presente. Amor é aquilo que não está estampado pra todo mundo ver, não é o textão que vai nas redes sociais, mas sim aquele que vai numa cartinha, com todo cuidado e simplicidade só pra pessoa amada ler. Amor não é comprar algo pra demonstrar, mas sim demonstrar que vale a pena pagar tanto pra ver o sorriso de alguém. Amor é aquela ligação no meio do dia, é aquela preocupação de saber se passou o resfriado, é aquela paciência diária do “vamos fazer juntos”, é o “ me desculpe” que promete consertar tudo, e conserta. Amor é teste de confiança.
Amor é saber que a pessoa amada está longe e ainda sim ser fiel à ela, é resistir a toda tentação. E cá entre nós, pra quem ama, ignorar as necessidades do corpo não é um perjúrio, é um prazer, é saber que toda saudade vale a pena ,pra sentir de novo quem a gente ama pertinho. Amor não é dizer eu te amo, mas se sentir amado. Amor não é dar presente, mas estar.



Aos namorados de hoje, de ontem e de amanhã, um parabéns à vocês, que a pesar de distantes, ou em momentos difíceis sabem o que é se sentir amado, sabem o que realmente importa, sabem que a data é só mais uma dia pra quem é eternamente enamorado um do outro. Aos demais, curtam seus “Eu te amo ,pra sempre”, esses dois meses passarão logo, e a fatura do cartão vai logo chegar.


sábado, 4 de junho de 2016

GENTE GOSTOSA


Um corpo é um corpo. Não lembro bem quem disse isso, mas interpreto como verdade. Nossa imagem é nossa propaganda pessoal, nosso cartão de visita para desconhecidos. Critério de análise primordial, por vezes essencial, que faz com que as pessoas nos conheçam assim, “de cara” ou que nos reconheçam ( no duplo sentido da palavra). Tudo bem vamo lá, sem enrolar, gente bonita causa interesse certo? Certíssimo! Quem não se atrairia pelo homem fisicamente perfeito? Poucos resistem olhar pra mulher que passa na rua, que vai marcando o caminho com um perfume invisível de sedução, perfume visual, só o olhar consegue captar. Comer com os olhos é uma metáfora pra lá de verdadeira, mas se a conversa continuar por ai, vamos puxar um a observação, por que cá entre nós, tem muita gente que é , sem o menor pudor, intragável. São daquelas pessoas que literalmente “não te descem” goela abaixo. O caminho entre sentir borboletas e embrulhar o estômago são vertentes de um mesmo caminho, mas a gente não percebe isso até cair em um deles.

Não vamos mascarar a realidade, Nós sentimos vontade do  que vemos mesmo, o que é bonito aos nossos olhos. A Beleza vem travestida dos mais diversos elogios mascarado de boas intenções. Fetiche do corpo e vício da boca, o que atrai mesmo é o popular “gostoso(a).

Gostoso é tudo aquilo que instiga nossos sentidos, é o que aguça nosso paladar, que faz você fechar os olhos pra ouvir, é o que toca nas mãos e passa pelo corpo todo como uma tensão que libera tudo de seu corpo. Gostoso é tudo aquilo que nós dissemos que não era, gostoso está entranhado na cultura pelo status do corpo, pelos bronzes artificiais, pelos “Davis” de Michelangelo que desfilam nas redes sociais, pelas curvam que instigam nossos instintos mais sacanas. Gostoso é tudo aquilo que só se vê com os olhos, e se a beleza está nos olhos de quem vem, aiai, pois o mundo está numa onda caótica do seguinte problema: Cegueira cerebral.


O corpo é a propaganda do negócio, mas o produto precisa de uma coisa “qualidade”. Sem qualidade ninguém recomenda, ninguém procura de novo, ninguém sabe que é bom mesmo até ter um por perto. Produto bom, é como pessoa de qualidade. É daquelas que você senta pra conversar e diz, poxa, que delícia que é você. E você quer devorar por inteiro, é quando sabe dos gostos, é quando ouve as histórias, é quando o tempo passa e você nem vê, quando vocês sabem a mesma música e não ligam se não viram o último filme que lançou. É aquele tipo de interação que você exclama e diz “ foi muito gostoso te conhecer”. São essas pessoas que não despertam o instinto selvagem dentro de nós, mas despertam algo mais. Não é do tipo que passa na rua e você pensa “ é muita areia pro meu caminhão”. Mas você sabe, que se valer a pena, não tem problema dar duas viagens.

terça-feira, 17 de maio de 2016

ATENÇÃO!



Desde pequenos somos instruídos a certos tipos de “defesa pessoal”, dessas defesas que nos protegem dos perigos do mundo real, desses perigos que nos fazem mal, ou que de alguma forma vão nos ferir. O sinal amarelo grita “atenção!”, olhe pros dois lados antes de atravessar, não ponha o dedo na boca, não gaste todo seu dinheiro, não ande por becos escuros, não mexa com as facas da gaveta. E assim  aos pouquinhos nosso organismo se habitua ao que faz mal, por quê é isso que nós aprendemos desde sempre, nós só conhecemos o mal por quê aprendemos a evitá-lo. Mas vamos parar pra pensar, será mesmo que o nosso sinal de proteção interior vai sempre colorir de vermelho ou amarelo as situações que nos colocam dúvida? Como saber se devemos parar, ter atenção ou simplesmente prosseguir quando algo novo acontece? Tudo que é novo pra gente assusta no começo, pode ser o gosto de uma comida, uma nova música, uma mudança inesperada, nossos sinais de alerta mudam constantemente tentando nos mostrar que caminho deve ser tomado. E assim como nesse mundo real, no nosso pessoal podemos observar o quão reais essas metáforas podem ser. E é ai que nós vamos entrar.



É como quebrar a cara, sempre acontece de um jeito diferente, a gente busca aprender com os erros, não fazer do mesmo jeito que antes, não machucar ninguém, mas ... Surpresa! Incrivelmente você consegue! Nada de prêmio pra você, isso não é algo bom a ser conquistado. O sinal amarelo tava aberto, mas ainda sim você passou. Foi um risco que correu. É um risco que nós sempre corremos, mesmo que digam pra gente parar, ter cautela, ter paciência. Ahh sim, bem lembrado: Paciência é a palavra chave.

Mas não é hora de desistir, o caminho é longo a se percorrer, e durante a nossa vida nós nos encontramos nas mais diversas situações que precisam da nossa atenção, é como o anjo e o demônio que ficam criando uma balança nos nossos ombros, há quem acredite nisso, não vamos julgar, mas cá entre nós, existem várias formas de chamar a  cautela , ou a falta dela, esses personagens ai são só mais uma forma. Com um tempinho que se passa nós já pensamos ser experts no assunto, a gente pensa estar imune de tudo... Puro engano, nós sempre estamos sujeitos a novos “erros”, e de uma hora pra outra nosso sinal de alerta pisca fervorosamente, “perigo, perigo, perigo”, a chance de tudo dar errado é eminente. E o pior de tudo, sempre que algo  puder dar errado  vai dar. Nossos planos que pareciam tão seguros agora se desfazem , o que a gente aprendeu parece não servir de nada. Dizem que a esperança é última que morre, mas antes de te levar ela vai matando aos pouquinhos, um golpe de cada vez, uma tortura silenciosa que vai acabando com toda paciência que parecia infindável. Sinal amarelo, você que não notou. Atenção parou ai e ficou.

Existe uma grande virtude na paciência, e quem a tem e consegue conservá-la, ótimo! Um  prêmio aos pacientes, aos que viram noites estudando pro vestibular, aos que sonham em vencer uma doença, aos que esperam o amor verdadeiro. Um prêmio aos pacientes, depois de tempos de sinal vermelho, podem prosseguir, o sinal verde é de vocês.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Efeito Dominó


Nos mais diversos momentos do dias, todos nós estamos sujeitos aos mais diversos lapsos de estresse, seja no trabalho, no trânsito, em casa, na escola, na faculdade. Talvez tenha sido algo que não deu certo, ou alguém que gritou com você, uma briga com o (a) namorado(a), uma nota baixa. É verdade que existem dessas pequenas coisinhas que vem pra deixar o dia um pouco mais complicado, que diminuem as horas , que tiram nosso sono, que torram nossa paciência.

É uma enxurrada de cobranças, são das que vem do nosso chefe, dos professores, dos nossos pais, dos nossos amigos. “Nossa, você já gastou todo seu salário”, “O relatório está atrasado”, “amor, a gente precisa conversar”. São desses pequenos problemas que surgem os maiores, a nossa necessidade de acabar com tudo é tão apressada, que por vezes nos deixamos tomar conta por esses lapsos. E ai querido(a) é um efeito dominó. Alguém cobra do seu responsável, ai ele vai e grita com você, e por consequência você vai e grita com outra pessoa. É uma espécie de ciclo da ignorância, sempre em busca de alguém que possa carregar parte desse estresse, dessa mágoa, dessa raiva toda. É quando chega um momento que não cabe mais em você, que começa a extravasar, que qualquer coisa é motivo pra reclamar, qualquer coisa se responde com um grito, ou com um palavrão que incrivelmente já estava na ponta da língua. É verdade, todos temos nossos dias ruins. E quando você pensa “não pode piorar”, ai vai e acontece algo pior. Alguém avisa pro cara lá de cima que isso é um desabafo de alívio, e não um desafio.

Mesmo sem querer o desafio precisa ser aceito, e a possibilidade da piora é sempre presente. O pagamento do aluguel se atrasou, cortaram a luz, ou aquele relatório atrasado resultou em demissão, aquele “Amor, precisamos conversar” foi a última conversa de vocês. É , tudo pode piorar, vamos trabalhar com essa hipótese agora, as coisas podem sim dar errado. Mas... também podem dar certo. Deve ser por isso que existem os dias ruins, pra gente entender e aproveitar os dias bons, pra gente compreender que nem tudo é ruim, pra que a gente sempre possa acreditar no melhor. Se todos os dias fossem bons, não existiriam datas especiais, não haveria surpresas, não haveria aquela “injeção de ânimo”.

A gente tem necessidade de receber isso, é uma palavra de conforto, de carinho, de afeto... Uma palavra de ajuda, uma palavra que diga “ Aguente só mais um pouquinho”. A gente precisa de alguém que empreste o dinheiro do aluguel, precisa ouvir “ O relatório atrasou, mas foi o melhor até agora, parabéns”, e mais ainda, a gente quer aquilo que mais nos faz falta, a gente quer alguém quem esteja com a gente apesar de tudo, é quando a gente descobre que aquele “ Amor, precisamos conversar” estava cheio de boas intenções, um amor que diz que entende que o trabalho é difícil, que o tempo é escasso, que atenção está pouca, mas que ainda sim não vai desistir da gente. É aquela palavra que faz o dia todo valer a pena, que faz  a semana valer a pena. E isso é um efeito dominó, quando alguém te faz um carinho, e você faz questão de disseminar. É o certo meu amigo, é disso que o mundo precisa, e cá entre nós. Ele anda bem carente.