quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Toda despedida é dor



“De repente do riso fez-se o pranto.”

Assim começa um dos sonetos mais belos de Vinicius de Moraes. É triste sim, mas há de se admitir que há uma certa beleza na tristeza.

O Amor impossível é o aditivo de Romeu e Julieta, é o que acalenta os corações insensatos , é o que anseia pelo final feliz, o de ficar junto nessa vida ou... na próxima. Na nossa cabeça boba sempre há uma “próxima”, sempre há um recomeço, sempre há um amor para curar um outro. O clichê é o remédio dos esperançosos, mas, nos mais simples clichês encontram-se as mais verdadeiras respostas. A frase de efeito doma os nossos sentimentos de mágoa, doma, mas às vezes leva uma mordidinha Todo treinador por mais bom que seja sabe o risco que corre. A  mordida é dolorosa vem travestida das mais diversas formas. Dói até o ponto que está pronta para cicatrizar.

Shakespeare é um gênio, e vai estar bem presente nesse texto, ele conhece a angústia dos apaixonados, ele sabe o destino trágico dado á solidão, aos romances que não conheceram o felizes para sempre. É o mesmo que diz que qualquer um pode dominar uma dor, exceto quem a sente.

Às vezes dói muito, mas torna um alívio depois, é o mertiolate com um sopro, é um ponto sem anestesia, é um band-aid tirado no “3” ! Não vemos a solidão como boa companhia até que ela é a única que pode nos entender, é a que traz o silêncio, é o que provoca nossa cabeça inquieta, que grita consigo em busca de qualquer resposta que seja.

Não muda o fato de ainda estarmos sozinhos. Não muda o fato dos dias ficarem mais longos. Aliás, muda sim. No fim muda tudo. Mudou os dias antes alegres,  as desculpas depois das brigas bobas, mudou as despedidas que imploravam pelo próximo encontro. Mudou. Deixou mudo. Emudeceu.

Chega de bom dia, chega de falar da rotina, chega de presente surpresa. Chegou ao fim. Acabou.
Não é de repente como falou Vinicius, mas é igualmente doloroso como disse Shakespeare. “ Toda despedida é dor”.  E pra falar a verdade, não é nada doce.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

RIDIKKULOS



-Qual a aparência de um bicho papão?

-O Bicho papão é um transformista. Ele assume a forma daquilo que a pessoa mais teme na vida. Isso faz com que sejam tão assustadores

Esse é um dos diálogos, para quem lembrar, do filme Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban, que traz de maneira peculiar, ou até mesmo metafórica o retrato do medo que habita cada um de nós. O bicho papão nem sempre é um monstro que fica debaixo da cama, ou espreitando no armário só à espera de você cair no sono. É pior. É bem mais que isso. Nossos monstros crescem na medida que são alimentados, seja por nós, ou por alguém que por acaso deixa uma migalha cair. É suficiente pra nutrir a fera que grita por liberdade. Por vezes achamos complicado revelar nossos verdadeiros medos, eles são sutis, mas em contrapartida devastadores, nos deixam mais expostos, mais vulneráveis. Mas ai entra uma questão. Qual a verdadeira razão do medo?

A verdade se baseia em compreender que o bicho papão é um ser todo subjetivo.

Nem uma dor pode ser maior do que aquela que nós sentimos, até porquê cada um sabe onde o sapato lhe aperta. E aperta viu...Como aperta. Coração tá ai como prova, é primeiro a sentir. Pra alguns o bicho papão é o terror que assombra toda noite, é um filho que fica em meio ao divórcio dos pais, é o paciente da UTI que não sabe quanto tempo de vida terá, é o desempregado que não tem como pagar o pão do dia. Esquece essa ideia de cobra, aranha e sapos, o medo vai muito além disso.  Esquece essa referência do medo na zona de conforto, gente de verdade tem medo do que faz mal.

Algumas vezes nossos monstros não cabem mais no nosso corpo, não suportam, e acabam por assustar outras pessoas. Insegurança é um câncer pequeno, que se não for tratado vira ciúme, e ciúme é contagioso, infecta a outra pessoa, deixa ela mal, é um medo que se espalha, como espécie de contágio. Outras vezes nosso monstro habita unicamente o nosso ser, é a depressão, a rejeição, é o abandono. Esse tipo de medo que não vai e volta como uma sensação ruim, é do tipo que monta guarda, que trouxe barraca, que não arreda o pé.

Um filme de terror antes de dormir pode assustar, uma hora ou duas com Hitchcock ou Stephen King é capaz de mexer com o psicológico de qualquer um. Mas a afronta maior à nossa segurança não advém das ameaças recentes, que somem com a luz do dia, ou com o passar da semana. Não. Vai mais além. Nossos medos se nutrem à medida que vamos enfraquecendo, eles se encontram dentro dos nossos pequenos vícios, dentro do nosso histórico de derrotas, dentro da nossa realidade assustadoramente triste, dentro do cotidiano imutável, dentro da angustia de não poder mudá-los.

Os bichos papões do armário são como os nossos monstros reais, que assustam, que fazem você se esconder debaixo da coberta, que fazem você se esconder em casa, que fazem você ouvir comentários do tipo “ nossa você tá diferente, o que houve? ”. E nem sempre tem o “ o que houve”, no final, tem pouquíssima gente que se preocupa com o nosso bem estar, tem menos ainda que liga pra saber do nosso estado, e quase nenhuma pra te puxar pela mão pra mostrar que o monstro no armário era o só um lençol, um bicho de pelúcia, pra te mostrar que você não está sozinho.

O que espanta o medo é o amor, é o cuidado, é o riso. Uma bela solução, é como um “passe de mágica”, enfrentar o que te amedronta não é fácil, mas você pode tentar, parar de frente, respirar e gritar em alto e bom som para eles.
-Riddikulos.

Não deixe seu medo tomar conta de você. É isso que ele é no fundo: Rídiculo.


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Nos Bastidores do #instaboy



Há mais de 10 anos começava no folhetim das nove da rede globo um novela que iria se perpetuar por um bom tempo com a surra mais memorável à uma vilã. A trama de Gilberto Braga foi nomeada por Celebridade, que levava Malu Mader como a protagonista da história. Claudia Abreu representou uma vilã com sede de ganância, disposta a ter tudo que Maria Clara havia conquistado, seguindo essa linha de flashes e modelos fotográficos, a inveja e a falta de carisma não levaram Laura muito longe. Também vale lembrar Darlene, personagem da Deborah Secco, que também não poupava esforços para “aparecer”.

A ideia de se manter no topo é tentadora, principalmente quando a proposta de receber atenção  parece ser iminente,. Mas os nossos esforços pessoais são destinados à isso, não somente da busca pela atenção, mas de se tornar um ícone no que você faz, seja um talento que você possua ou uma ideia que pode mudar algo pra melhor. A ideologia  é a mesma:a de se tornar referência, o direcionamento pessoal é que muda.

De uns tempos pra cá a exposição deixou de se tornar arma para se tornar veículo de informação, é crescente o número de pessoas que buscam a rede social com o intuito de simplesmente se “mostrar”. É uma galera toda trabalhada na caras e bocas, com um desejo crescente de atenção, um perfeccionismo gritante em cada edição visual, um carisma bem ensaiado para conquistar os seguidores. A propaganda é a alma do negócio e nesse mundo de corpos cada vez menos reais, a superficialidade toma conta dessa geraçãozinha que fica nessa “corrida maluca” (entendedores entenderão) pelos tabloides. Essa é a realidade dos egos inflamados, que nas redes se autodenominam de todas as hashtags possíveis ou seja lá mais o quê . Estão sempre na procura do algo a mais, um espécie de diferencial , que os torne uma propaganda fácil para quem os aceitar. No fim são todos iguais.

São desses mesmos exemplos que  enchem a timeline de histórias com pouca ou nenhuma importância de crescimento, estão lá monitorando a melhor hora de postar, a hora em que mais pessoas vão ver, o momento que as curtidas vão bombar. É tudo bem real, pelo menos o que é falado aqui. Bom alguma coisa tinha que ser de verdade não é? Se tirarmos os efeitos, os retoques, a mágica da edição, o que sobra?

Ser aspirante a famoso de rede social é ter domínio de uma arte singular, precisa talento e técnica, precisa paciência para contar quantos seguidores foram perdidos, precisa de estratégia para manusear a próxima foto, precisa de educação para responder os “fãs”, precisa de atenção diária. Na boa... Precisa de algo pra fazer, precisa antes de tudo, autoestima. A falta dela é preenchida facilmente com o resultado de “tanto trabalho”. E é nessa onda que as “novas Lauras “vão na busca da celebridade forçada, é uma surra diária, que sempre traz uma nova Maria Clara Diniz, mais bonita, mais carismática, mais talentosa.. Aliás, bem mais bonita, bem mais carismática, e desculpa falar, realmente talentosa.


Aos aspirantes as capas de revista, um recado pra vocês: A minha curtida, vocês não tem.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A Hierarquia do Come-Come



A cadeia alimentar é explicação que é aprendida ainda no começo da vida, um modelo organizacional onde alguém come alguém para poder sobreviver. Bem simples o esquema piramidal que facilita o entendimento infantil. Nós crescemos e percebemos que muitas vezes esse mesmo sistema afeta nossa vida mais metafórica do que realmente. A divisão dos grupos se dá por modelos de pirâmides nem sempre tão elaborados, não chega a ser organizacional, mas o princípio é bem análogo ao já aprendido: quem come quem, e quem fica no topo da cadeia alimentar. Diante disso podemos nos questionar, como nós, seres humanos com racionalidade superior selecionamos a próxima presa? Como dividimos os degraus da pirâmide que nos torna melhor do que outros?

Nosso sistema de seleção parte de dois princípios básicos: Critérios pessoais e necessidade. O que nos leva à várias questões entre elas o porquê de sermos tão seletivos com as nossas escolhas. Não basta a pessoa ser só bonitinha, tem quer ser bonita e atraente, não basta ter um nariz perfeito a sobrancelha tem que estar impecável, não basta ter um perfume bom, não basta ter dentes bem feitos, não, não basta, nosso egoísmo não permite muitas falhas, não vivemos nossa vida alimentar com realismo, vivemos com perfeição.

Perfeição, palavra-chave, não sai da nossa boca se alguém pergunta “que tipo de pessoa te atrai”. Nos prendemos às nossas exigências pessoais, muitas vezes limitadas a “beleza e bom humor”, alguém atraente e que te faça rir. Serio? Vai contar piadas na cama mesmo? Sem muita conversa, nossa seleção se baseia na presença do Status Quo, Onde a hipocrisia reina sem fim, numa sociedade onde beleza e bom humor são pré-requisitos, mas que não permite um contato maior se o indivíduo não carregar um nome na praça ou um “atrativo” $ignificante. Somos um pouco egoístas até o ponto que nos permitimos ser, que a nossa vontade nos permite.

Vemos raças se mantendo com raças, meios ricos que não se  misturam à classe média, filhos de “ sabe-se lá quem” que vivem à sombra do legado, brancos que não se misturam à negros, e mais uma infinidade desse tipo de gente, que não se mistura , como se gente fosse um tipo de doença venérea, como se fosse mancha de caráter, como se fosse erro à não ser cometido. Nossa realidade beira ao cinismo, do tipo que faz horrores entre quatro paredes e no meio da rua  vira a cara como se nada devesse. Acordem, bom dia não faz mal a ninguém.

Humildade não faz mal a ninguém, contentar-se com pouco ( ou com menos) não é sinônimo de fraqueza ou falta de ganância, é o que traz à tona sensibilidade pessoal, é o que te permite, que te permite conhecer, que te permite ir contra a maré. Sensibilidade não quebra a pirâmide do status quo, sensibilidade não te tira do teu pedestal, mas , nesse mundo de feras em que vivemos, existe a lei da selva : um dia é da caça e outro do caçador, e não se esqueça: na cadeia alimentar também é assim.


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

UNIVERSILIFE



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Cota da bebida contada, ingresso com certeza comprado com tempos de antecedência, horas sendo cronometradas minuto a minuto para chegar em casa. Lembranças boas. Muito tempo e pouco (ou nenhum) recurso nos leva à melhor época das nossas vidas, o período cheio de descobertas, acontecimentos, memórias, e tudo que um bom fim de adolescência pode trazer. O começo da vida adulta é com certeza difícil, é hora de decisão, de tomar um rumo, de tentar fazer certo, é meio complicado se tornar adulto, mas é bom também sentir um gostinho de liberdade. Nosso primeiro contato libertador vem na vida acadêmica.

Esquece as festas de campus e dormitório cheios de cerveja e esculhambação, apaga a visão de american pie da cabeça, a realidade dos universitários é bem diferente, é esperar ônibus, é contar o dinheiro da xerox, é comer algo bem rápido pra não se atrasar, é ser estudante, sociável, saudável, é ter que escolher entre dormir e estudar a prova, é chorar no fim das disciplinas, é chorar sem ter porquê , é só chorar mesmo.

Grupos de estudos pra ninguém esquecer por que está ali, grupo de amigos pra ninguém ficar isolado, panelinha pra todo mundo ter uma turma. Amigos de faculdade (família pros mais íntimos). Bendito seja o tempo da faculdade, o tempo de experimentar o que a gente nunca teve coragem, tempo de provar o que parece louco, de arriscar um pouco, de tomar o primeiro porre, de chegar de manhã , de ir “virado” pra aula, de estudar prova de véspera, afinal quem disse que correr risco é difícil? Risco é adrenalina que move o estudante, é correr com o prazo dos trabalhos, é esquecer de deixar os livros na biblioteca, é perder o ônibus e ser abrigado por uma alma caridosa.

Tempos de faculdade envolve mais que as boas lembranças, envolve bem mais. Anda, vamo lá, vamo juntar tudo num caldeirão:, um amor não correspondido, um pouco de stress ( diário), um professor com “ marcação”, um professor bacana, uma disciplina que é um amor, e outra que é um inferno, uma nota baixa, duas notas baixas, uma reprovação, um rio de lágrimas. Viver academicamente é conviver diariamente com uma família que é sua dose diária de motivação, são aqueles que brigam contigo, que te abraçam, que te carregam pra casa depois da noitada, e são os mesmos que ficam contigo decorando todos os ossos do corpo, todas as fórmulas , todos os artigos.... Se todos os ingredientes fazem uma receita, que gosto teria a sua? Pra alguns pode ter gosto amargo, pra outros desceu um pouco mais fácil, uma colher de açúcar ajuda o remédio a ser engolido

Enfim, ser estudante é ter paciência com o sistema do aluno, é entrar pra só pegar a presença e ser o primeiro a pedir ponto na prova, é ser o que ensina os demais e ainda sim tirar nota baixa, é uma luta diária, que a gente se cansa todo dia. É uma escada , um degrau de cada vez. Até que um dia a gente sobe tudo, até que um dia tudo vira lembrança, tudo vira saudade. ­É quando alguém diz " Ei, lembra daquele dia..." . Vocês lembram, riem muito. E ri porque viveu, e sente saudade porque foi bom, e não se arrepende.. por que fez certo.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Precisamos de alguém pra dizer Eu Te Amo


Resultado de imagem para tumblr couple laughingAmor vem vestido das mais diversas formas, das mais inusitadas situações, dos mais bobos gestos, são os detalhezinhos , aqueles que você nota com afinco, ou que você deixa passar por mero descuido, que refletem naquilo que você sente. Perceber, olhar ao redor, amar não se limita a dar boa noite antes dormir, mas acompanha durante o dia todo, é quando dá bom dia, é quando pede pra “avisar se chegou bem”. Já diziam: amor não é palavra ( bom, não é só palavra), mas também é gesto.

Demonstrar: Para os o que gostam de atitudes, o momento é sempre apropriado, para aqueles que gostam das surpresas toda hora é hora, para os que falam  é sempre bom ser ouvido, e para todos esses que amam, toda ocasião é especial, bom ,talvez nem todas, mas é com esse carinho que o amor viaja, ele é nutrido por toda boa memória que nós vivemos, por toda felicidade que veremos no sorriso do outro, é pelo “muito obrigado”, é pelo beijo apaixonado, pelo brilho nos olhos...  Amor é o que Embala as noites juntos, aquele momento de não querer se largar, é o que faz suportar as noites separados,  é o que conforta as lágrimas, é o que vai escrito nas cartas apaixonadas, é o motivo das ligações, é a saudade que interrompe os  “términos de 3 dias”, é o que permite aceitar os convites pro recomeço. Amor é reflexo de tudo, é perdão, é choro, é presente. É quando não cabe mais dentro da gente, é quando transborda.

É como uma espécie de vício, exige manutenção constante, assim como aditivos, nossos bons sentimentos são espécies de  narcóticos, ou remédios diários, que não tem dosagem exata, quem diz isso é nosso corpo, nada de abraços 3 vezes ao dia, nada de bula, nada de prescrição. Vivemos com o que temos, fazemos disso nossa cura permanente para os problemas. Aliás! Fazemos de algumas pessoas nossa cura permanente, esquecemos tudo que nos amedronta quando “o efeito “ toma conta do nosso ser. Um abraço, um beijo, uma lembrança, uma visita... Dificil é acabar com a dosagem, difícil é quando não faz mais efeito, difícil é quando o remédio vira veneno.

Veneno, não tome! Nosso íntimo as vezes é insuportável até para nós mesmos, no momento em que toda boa lembrança vem à tona, que o riso ecoa por todo o nosso ser. É curioso, é contraditório, mas ainda sim não é nenhum pouco engraçado. O que é doloroso não é bom, mas o que já é doloroso também não quer dizer já não foi bonito. Amor é lindo quando vira poesia, quando é a dor dos outros, quando é a saudade alheia.  Saudade é o que acalenta os corações solitários, é a companhia dos domingos à noite, é a insônia que as vezes se acomoda. Saudade é ruim quando vem pra ficar um tempinho pra depois ir embora, é bem melhor quando está só dando uma passadinha.


Nem todo livro tem final feliz, nem nós vivemos num Musical em que cantamos e dançamos em sincronia com todo mundo que está ali, nem todos os caminhos vão nos mostrar uma lição como nos filmes, e vão ser poucas as pessoas que vão ter alguma importância nas nossas vidas, vão ser como um livro, um filme, uma música boba. Mas... vão ter algumas que sim, que vão fazer diferença! Que vão te fazer rir e chorar, que vão te trazer aquela vontade de assisti-las de novo, de ouvir a voz, de lê-las mais uma vez, que você nem sempre tem por perto, que você pode não saber como vai acabar a história, mas que você torce, da forma mais singela possível, da forma mais simples, da forma mais pura, para que aconteça um feliz para sempre. 

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Doutores da alegria


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O texto a seguir contém cenas explícitas da realidade( Não aplicável a todos). Ao persistirem os sintomas o médico deverá ser consultado.

Sem vida social, sem tempo, sem coração... Assim podemos descrever a classe que ascende das mais diversas camadas sociais com desejo crescente de grandeza. Grandes mesmos são os médicos, que fazem por questão carregar como primeiro nome a palavra “doutor”, por vezes até sem trazer o vocativo de batismo, parece se fazer vital ( sim a palavra é essa) esse tipo de tratamento. Doutor só já está de bom tamanho, dispense os complementos. Respeito? Nem tanto. É mais questão de prepotência, pecado egocêntrico, que se planta como semente ainda nos anos de cursinho, e vai crescendo como erva daninha até tomar de conta do ser por completo. Bacharel.

Toda pompa vem acompanhada de promoção pessoal, em que cada etapa precisa ser computada, vista, apresentada, um vitrine de satisfação... Opa! Comemoração! A vitória da passagem vem travestida dos mais diversos temas, é um mês disso, tantos dias daquilo, é festa sem tema, é festa. O importante é “comemorar”. E haja festa, todas elas usando Medicina como propaganda de convite.

Sem argumentos para como o ofício vem sendo usado, cada vez menos com a intenção humanitária da coisa toda, obviamente que não deixando de reconhecer a importância das outras profissões, nem tampouco deixando de notar beleza no cuidado que deveríamos ter uns com os outros, mas a classe que cuida da “gente” merece sim uma atenção especial, não só os médicos, mas pelo andar da realidade, o grupo dos médicos parece ser aquela panelinha popular da escola, que todos admiram, mas que não estão nem um pouco ai pra ninguém, ou até esteja, afinal, todo espetáculo precisa de plateia, um show que eles mostram a cada dia, com trabalho duro, noites sem dormir, horas a fio de estudo, e querem ser recebidos com palmas de reconhecimento. Claro que não é difícil notar, que chegar aos pódios mais altos requer uma dose de disciplina e outras tantas de renúncia, sob o manto da dificuldade muitos explicam comportamento tão nojento, muitas vezes desumano. A faculdade é o começo de uma longa trajetória, em que as melhoras são financiadas, tendo em seus exemplos estudantis uma parcela social mais favorecida , enquanto que em outras, em quem é bem mais difícil entrar, observa-se  a parte intelectual, que aos poucos deixa a vitória e os sonhos pelos incessantes flashes de prestígio que vão sendo “ofertados”, são os mesmos incentivos que colocam uns contra os outros, monitorias, trabalhos, pesquisas, bolsas a serem conseguidas, uma espécie de pódio no qual é inadmissível chegar em segundo lugar.

Ser o melhor, para melhor servir. Uma resposta boa, muitas vezes até convincente. Não desmerecendo o mérito alcançado. Jamais! Quem chega em algum lugar , fez por onde estar lá, a diferença é como você vê essa vitória, a humildade passa longe dali ( quando passa). Ser o melhor para melhor servir, só se for aos próprios interesses, enquanto embala os dias na mecanização de prescrever um diagnóstico, com o descaso similar ao da caligrafia empregada, uma carta que falta ser finalizada com “ Tchau e benção”. Deus abençoe mesmo essas pobres criaturas, que as cure, ou que as receba no céu.

A realidade que se observa em volta disso tudo é realmente a da procura por status, e por vezes por mais talentoso que seja o curador, ainda vai faltar o que as pessoas procuram, graça e beleza. Quem está mal se rende aos nossos braços, se entrega, confia, quem está mal, triste, só espera um sorriso, um abraço , uma afago, um remédio para aliviar a dor, nem sempre vem escrito na bula, ou prescrito na receita, muitas das vezes vem da forma como você trata alguém, e esse alguém só precisa disso, de alguém que cure, que receite cuidado diário, no mínimo 3 vezes ao dia. Alegria maior é a de saber que alguém se preocupa, ficar bem são outros quinhentos. Na faculdade se ensina toda posologia, mas ela vai acompanhada de um beijo no rosto, ou de um abraço apertado, e isso não tem livro nenhum que recomende, tem que vir do coração, o que venhamos e convenhamos, tem muita gente sem ele hoje em dia. Falta de amor pode trazer riscos, em caso de suspeita de coração de pedra

 Faça o que os comerciais recomendam:  “procure um médico ou um farmacêutico.” E dissemine.